"Tenho um olhar que cai, que escorrega, o que equivale a essa vertigem de ser atingido por algo não procurado, que chega por acaso, que passa pela fresta. Um olhar que cai pode tanto espatifar-se de forma irreversível, espalhando cacos do visível, como esparramar-se de forma macia e homogênea pelo terreno com o qual depara-se. Um olhar que cai, escorrega. Seu conteúdo imaterial derrama-se, misturando-se ao que já está aderido à paisagem, seja ela de que ordem for. Assumir um olhar em queda exige atenção ao detalhe. Ao pequeno. Ao irrisório. Ao mínimo. Ao dispensável. Ao fragmento. Ao resto. À coisa nenhuma. Às sobras de tudo o que foi e poderia nem ter sido. E ao que não foi, que também é sobra, sendo obra do descarte."
[ELIDA TESSLER]
um caderno de amenidades é aquele que contém sentimentos mínimos para uma vida alegre, sim, o desafio é ser alegre. é pensar textos e imagens que nos mostrem a leveza da vida e a possibilidade de sermos sempre intensos!
9.21.2007
elida - e a morte
"a morte está justamente lá onde não há mais desejo."
[elida tessler, o esquecimento doeu - ver e rever o tempo]
quando a beleza é superada pela realidade,
quando perdemos nossa pureza nestes jardins de males tropicais,
quando no meio de tantos anêmicos respiramos
o mesmo bafo de vermes em tantso poros animais,
ou quando fugimos das ruas e dentro da nossa casa
a miséria nos acompanha em suas coisas mais fatais
como a comida, o livro, o disco, a roupa, o prato, a pele,
o fígado de raiva arrebentando, a garganta em pânico
e um esquecimento de nós inexplicável,
sentimos finalmente que a morte converge
mesmo como forma de vida agressiva.
[rocha, glauber. roteyros do terceyro mundo. organizado por orlando senna. rio de janeiro: alhambra/embrafilme, 1985, p. 302]
pra visitar:
http://www.elidatessler.com.br/
[elida tessler, o esquecimento doeu - ver e rever o tempo]
quando a beleza é superada pela realidade,
quando perdemos nossa pureza nestes jardins de males tropicais,
quando no meio de tantos anêmicos respiramos
o mesmo bafo de vermes em tantso poros animais,
ou quando fugimos das ruas e dentro da nossa casa
a miséria nos acompanha em suas coisas mais fatais
como a comida, o livro, o disco, a roupa, o prato, a pele,
o fígado de raiva arrebentando, a garganta em pânico
e um esquecimento de nós inexplicável,
sentimos finalmente que a morte converge
mesmo como forma de vida agressiva.
[rocha, glauber. roteyros do terceyro mundo. organizado por orlando senna. rio de janeiro: alhambra/embrafilme, 1985, p. 302]
pra visitar:
http://www.elidatessler.com.br/
9.20.2007
suely rolnik - tunga e os despachos no museu
adoro a suely
porque aprendo a olhar pro mundo de outra forma com ela
ela me apresenta os outros
dessa vez conheci TUNGA através dos
DESPACHOS NO MUSEU: SABE-SE LÁ O QUE VAI ACONTECER...
confiram:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-88392001000300002&script=sci_arttext
porque aprendo a olhar pro mundo de outra forma com ela
ela me apresenta os outros
dessa vez conheci TUNGA através dos
DESPACHOS NO MUSEU: SABE-SE LÁ O QUE VAI ACONTECER...
confiram:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-88392001000300002&script=sci_arttext
serpente mágica
anotando:
calendário maia
28 luas
e coisa e tal e tal e tudo
entra aí: http://calendariomaia.hpg.ig.com.br
fui...
calendário maia
28 luas
e coisa e tal e tal e tudo
entra aí: http://calendariomaia.hpg.ig.com.br
fui...
9.19.2007
as salamandras mágicas
A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida…
inscrição para uma lareira
mário quintana
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida…
inscrição para uma lareira
mário quintana
9.17.2007
copiando minha amiga socorro acioli
[...] quem somos nós, quem é cada um de nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras, de imaginações? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser continuamente mexido, reordenado de todas as maneiras possíveis.
Italo Calvino
Italo Calvino
9.13.2007
entre minas e fortalezas
Vi o meu sentido confundido, iluminado
vi o sol enluarar, quando viu você.
Vi a tarde inteira, a sexta-feira, o feriado
esperando o amor chegar e trazer você.
Você chegou querendo
tudo que o tempo não te deu
e que levou de você;
sem saber que você já sou eu.
Agora não entendo
o meu relógio o amor tirou
mas sei que o meu coração
tá batendo mais forte
porque você chegou.
Você chegou querendo...
vi o sol enluarar, quando viu você.
Vi a tarde inteira, a sexta-feira, o feriado
esperando o amor chegar e trazer você.
Você chegou querendo
tudo que o tempo não te deu
e que levou de você;
sem saber que você já sou eu.
Agora não entendo
o meu relógio o amor tirou
mas sei que o meu coração
tá batendo mais forte
porque você chegou.
Você chegou querendo...
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- fatima souza
- niterói // fortaleza, entre telas