10.31.2007

tarefa da página 161

Orientações para tarefa de número 2:

Lira Neto passou para Socorro Acioli que passou pra mim e repasso a 5 amigos.
Convocação para participar do jogo!
Chama-se "Meme da página 161" e as regras são:

1. Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2. Abrir na página 161;
3. Procurar a 5ª frase completa;
4. Postar essa frase em seu blog;
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6. Repassar para outros 5 blogs.

Eis o meu resultado:

abri o livro mais próximo na página 161 - desonra - do coetzee - editora cia. das letras, li a quinta frase completa, e eis no que deu:

"Só a orelha ainda exige cuidados diários."

Agora é a minha vez de convocar:

Paulo Amoreira (Vestígios)
Carolina (Aguarrás)
Jamille (Sempre celebrando a vida!!!)
Anna K. (Escrituras)
Ruth Aragão (Ruth Aragão Roupa)
e
Elvira Vigna (Elvira Vigna)

Agora é a vez de vocês.

prêmio vivaleitura

saiu o resultado do prêmio vivaleitura 2007!!!!
CONFIRAM!!!

http://www.premiovivaleitura.org.br

sob o signo solar

olha que lindo presente de aniversário!!!!
você merece minha queridíssima amiga...
novo livro da sarinha no ar:

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=483336

10.30.2007

bons amigos

fiquei muito feliz em saber do trabalho do vitoriano.
e queria dividir com vocês esse momento:
http://www.opovo.com.br/opovo/buchicho/738915.html

sucesso vitoriano!!!!

CHUVA DE POESIA!!!!

tarde de sexta-feira
100 mil poemas chovendo do ar
na praça do ferreira
fortaleza // ceará

entre poesias e poetas
estávamos muitos lá

socorro acioli, lira neto e coetzee

bom, como eu faço tudo que seu mestre manda, não posso quebrar a corrente.
abri o livro mais próximo na página 161 - desonra - do coetzee, li a quinta frase completa, e eis no que deu:

"Só a orelha ainda exige cuidados diários."

pronto! socorro!
a primeira parte tá aí. mas como sou lenta, precisa esperar um pouquinho pra eu finalizar a tarefa!
adorei o café!!!!

agora somos duas "grandes" bailarinas!!!!

10.22.2007

água de meninos

Água de Meninos
Gilberto Gil
Composição: Capinam e Gilberto Gil

Na minha terra, a Bahia
Entre o mar e a poesia
Tem um porto, Salvador
As ladeiras da cidade
Descem das nuvens pro mar
E num tempo que passou - ô ô ô
Toda a cidade descia
Vinha pra feira comprar

Água de Meninos, quero morar
Quero rede e tangerina
Quero o peixe desse mar
Quero o vento dessa praia
Quero azul, quero ficar
Com a moça que chegou
Vestida de rendas, ô
Vinda de Taperoá

Por cima da feira, as nuvens
Atrás da feira, a cidade
Na frente da feira o mar
Atrás do mar, a marinha
Atrás da marinha, o moinho
Atrás do moinho o governo
Que quis a feira acabar / bis

Dentro da feira, o povo
Dentro do povo, a moça
Dentro da moça, a noiva
Vestida de rendas, ô
Abre a roda pra sambar

Moinho da Bahia queimou
Queimou, deixa queimas
Abre a roda pra sambar

A feira nem bem sabia
Se ía pro mar ou subia
E nem o povo queria
Escolher outro lugar
Enquanto a feira não via
A hora de se mudar
Tocaram fogo na feira
Ai, me dia, mi'a sinhá
Pra onde correu o povo
Pra onde correu a moça
Vinda de Taperoá?...

Água de Meninos chorou
Caranguejo correu pra lama
Saveiro ficou na costa
A moringa rebentou
Dos olhos do barraqueiro
Muita água derramou

Água de Meninos acabou
Quem ficou foi a saudade
Da noiva dentro da moça
Vinda de Itaperoá
Vestida de rendas, ô
Abre a roda pra sambar

Moinho da Bahia queimou
Queimou, deixa queimar
Abre a roda pra sambar
Pra sambar... pra sambar...

colecionando impressões.... bienal de dança

bom, quase tudo surpreende a gente na bienal de dança
vamos aos poucos colocando os links aqui.

espetáculos
1. isabel torres(RJ)
2. tempo líquido - maria alice poppe (RJ)
3. por si só - helder vasconcelos (PE)
4. preljocaj (frança)
5. parto - luiz garay(argentina)
6. água de meninos - artelaria(CE)
7. muá - emmanuelle hynhj (frança)

performances
1. impermanências
vera sala
2. procissão pagã
yann marussichi
3. blessure
yann marussich

lançamentos
1. silvia soter (RJ) e a educação somática

conversas

pesquisa
rumos dançaitaú
cartografia - rumos itaú cultural
idança

festivais
panorama de dança (RJ)
festival de dança do recife (PE)
fid (MG)
asul - festival internacional de dança contemporânea (buenos aires)
dança em foco (RJ)
move berlim (alemanha)

artistas da dança
angel vianna

10.19.2007

VI Bienal Internacional de Dança do Ceará

San Pedro é destaque na VI Bienal Internacional de Dança do Ceará na Mostra Vídeo Dança.
Alegrias... alegrias...

Confiram:
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=479823

Lançamento do livro O sol na palavra: a literatura cearense sob o signo solar, de Sarah Diva Ipiranga

Dia 31 de outubro, às 18 horas, na Biblioteca Pública Menezes Pimentel, será lançado o livro O sol na palavra: a literatura cearense sob o signo solar, da professora Sarah Diva Ipiranga.

O livro é resultado de uma pesquisa premiada no III Edital de Incentivo às Artes da SECULT (Secretaria de Cultura do Estado do Ceará) e trata de forma inovadora a produção de autores como José de Alencar, Adolfo Caminha e Antônio Sales. Revisitando obras como O sertanejo, Aves de arribação, A normalista, entre outros, a abordagem centra-se na presença do sol como signo ativador da produção literária desses autores/livros. Além dos cearenses, outros escritores viajantes compõem o tecido desse livro: Pedro Nava e Albert Camus. A contribuição essencial da pesquisa é configurar um relógio que marca as ‘horas’ da formação da literatura cearense: a manhã alencarina, o meio-dia de Adolfo Caminha e o entardecer de Antônio Sales. Através desses três tempos uma literatura se forma marcada pelo exílio e pelo sol.

Sarah Diva Ipiranga é professora de Literatura Comparada da UECE, Mestre em Estudos Literários pela UFMG e doutoranda em Educação Brasileira na UFC. Através da sua experiência de migração (morou 10 anos em Belo Horizonte) e do seu envolvimento com os estudos de literatura comparada, a autora dedica-se há alguns anos a investigar as formas do imaginário solar na literatura, bem como o exílio e a memória na construção das formas literárias.

Conhecendo um pouco mais sobre o livro: Trechos do texto de apresentação do crítico literário Fábio Lucas.

O ensaio aliciante de Sarah Diva Ipiranga

Para ingressar na substância da Literatura Cearense, Sarah Diva Ipiranga abriu as portas do entendimento à entrada do sol. Ao leitor das obras capitais do Ceará, como as do Nordeste, este parecerá o mais óbvio dos temas. Entretanto, visto sem o ofuscamento da pressa ou da evidência, talvez um dos mais complexos. É o que demonstrou a obra O sol na palavra: a literatura cearense sob o signo solar.

O “sol” de sua escolha irá luzir nas obras de José de Alencar, Araripe Júnior, Adolfo Caminha e Antônio Sales. E, claro, nos autores confluentes (Pedro Nava e Albert Camus), aqueles que os interpretaram e aqueles que se detiveram nos aspectos solares da visão de mundo ou especificamente nos atributos da paisagem tropical.

A autora de O sol na palavra: a literatura cearense sob o signo solar explora as idas-e-vindas de seus autores-personagens: Alencar, Araripe Jr., Adolfo Caminha e Antônio Sales, numa sarabanda de hesitações entre sair e voltar, aves de arribação.

Neste livro, mais uma vez ocorre a íntima familiaridade do ensaio com a criação literária, pois entre ambos se estabelece um diálogo quente e confortador.

Fábio Lucas

querido carlos

para fátima souza

eu sou o acrobata do banco de trás
e só você me vê. vou deixar as
duas mãos no vidro e me contorcer
amarrado a este cinto que me livra
do mal, toda sorte ruim, acaso,
quebranto e freadas bruscas. estes
os minutos finais do grande espetá-
culo, até você ir embora, descolando
com vagar o seu rosto triste, miúdo
como se quisesse chegar a algum lugar.
aonde deve ir. os acendedores do fogão
pifaram e estamos sem fósforo. não
tomaremos calmantes naturais, mas ex-
plodiremos com discreta naturalidade.
vou deixar os vidros abertos na esperança
de oxigenar o mundo e para que alguém
me corte os pés e o estofamento novo.
eu sou o acrobata do banco de trás
e você não me vê. o mesmo ar que
respiro não é o seu, pois estamos
separados. entre um passo e outro, uma
espera na fila do caixa eletrônico
com seus enigmas, senhas alfa-numéricas,
nossa esfinge possível, um abismo.
um abismo. diga comigo: um abismo.

partida do audaz navegante

guimarães rosa
primeiras histórias
brejeirinha...

ah! mar

bartolomeu e andré neves
linda mudança em minha vida
aprendendo a amar...

10.04.2007

catrâmbias!, de evandro affonso ferreira. [p. 55]

diacho agora aqui neste banco escamurrengado apertando em
breve escritura todos eles meus setenta anos fu! não valeu a
pena viver; exceto claro pelas amizades algumas realmente de
papoco feito ela amiga aquela de Paris eia quanta esbelteza
puleritude huifa resplandecente mesmo; mas catrâmbias! nun-
ca entendi mania-hábito aquele de exigir que acompanhante
peripatético caminhasse somente do lado do ombro esquer-
do dela; mesmo sendo desde sempre incrédula nunca desper-
filei crendeirice da amiga-nec-plus-ultra-da-cortesia; ou ele
amigo ad amussin aquele substacncialmente verdadeiro intei-
reza de caráter abria mão de jeito nenhum (nem debaixo de
intimidações cadafalsescas guilhotinescas cousalousa) dela
siesta diária de duas três longas assonorentadas horas; mas
diacho mesmo assim fu! não valeu a pena viver hã me desen-
contrei dele grande amor únido porimum mobile da vida; neca
neres de Penélope nenhuma para esperar apre neca neres de Ulis-
ses nenhum para regressar; gerande amor fiau! andei ceca e me-
ca e neca hã teria sido mais fácil pra esta velha angurriada aqui
ter escalado o céu sobrepondo montanhas uma às outras.

intromissão, de ana cristina

Intro [movimento para dentro]
missão: [posicionado para dentro]
os possíveis do movimento paradoxal

À primeira vista é que se movem os olhos curiosos dos passantes para um trabalho que desgrudando da parede, propõe movimentos e saltos no ar.
Intro é o estado para dentro do corpo, lugar dos anseios e desejos mais recônditos. E ditos assim, de passagem, é que se pegam reconfigurando estados de ser antes ocultos por formas, enquanto sentimentos são tecidos no vento. O arame dobrado com a força do braço e retorcido pela leveza do movimento da artista expõe-nos a um paradoxo: ora se contém, ora atravessa a pele. É tecendo a vida que os fios se dão a existir. É no lugar da costura, do que adentra a lisura do tecido ou suas asperezas.

Em Intromissão as agulhas de Ana Cristina são tomadas pela própria linha, como se não pudéssemos prever quem vem abrindo caminho primeiro, se a artista, se a linha ou a agulha. E nesse jogo, é que o brilho da agulha, escondido pela linha que costura a própria agulha, se faz presente nas diversas posições manipuladas por Ana Cristina. Mas, no desenho próprio da pele, são as linhas que dão suporte às agulhas várias em direção ao chão. As insistências de nossos movimentos, a impermanência de nossos gestos, a precisão do tamanho de cada uma das linhas são movimentos de olhar onde as linhas da vida vão parar ou se cruzar. Nesse vai e vem, tanto linha como agulha costuram os afetos que podemos desenhar no espaço-tempo. Pelas mãos mágicas da artesã, vemos preparada a teia de sua e nossa vivência.

A linha tênue e preta marca contornos grossos de habitar e saltam a parede, pendurada por fios invisíveis entre visualidade e gestualidade. São os gestos da artista que agora se montam no povoado das linhas sinuosas. Os fios caem atraídos por uma força de chão e são parados pelas mãos que arquitetam outras possíveis formas de desenho no espaço vazio. Quem se põe em missão de desvendar os desenhos entra no jogo labiríntico que as formas da linha preta propõem. Elas estão em suspense por um grosso cordão, ou caídas e protegidas pela lâmina da agulha. Se se aproxima, o observador vê sintonia musical dedilhada no conjunto, se se afasta, passa a desejar uma veste para sua pele desnudada. É que alinhavados seus segredos, procura brilho na costura. E fugindo, vê escorrer seus contornos na parede, fixadas as curvas de seu habitar.

Jogo dual, possível de revés.
Costurar ou desfazer:
linha agulha desertos labirintos desejos
no fabuloso mundo de dentro.
Onde “o mais profundo é a pele”.
Chama. E segredos.

fátima souza
fortaleza, 01 de outubro de 2007.

quem sou eu

niterói // fortaleza, entre telas